Chico Buarque - Teresinha
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Música enviada por: Letras de Músicas
O primeiro me chegou
Como quem vem do florista
Trouxe um bicho de pelúcia
Trouxe um broche de ametista
Me contou suas viagens
E as vantagens que ele tinha
Me mostrou o seu relógio
Me chamava de rainha
Me encontrou tão desarmada
Que tocou meu coração
Mas não me negava nada
E, assustada, eu disse não
O segundo me chegou
Como quem chega do bar
Trouxe um litro de aguardente
Tão amarga de tragar
Indagou o meu passado
E cheirou minha comida
Vasculhou minha gaveta
Me chamava de perdida
Me encontrou tão desarmada
Que arranhou meu coração
Mas não me entregava nada
E, assustada, eu disse não
O terceiro me chegou
Como quem chega do nada
Ele não me trouxe nada
Também nada perguntou
Mal sei como ele se chama
Mas entendo o que ele quer
Se deitou na minha cama
E me chama de mulher
Foi chegando sorrateiro
E antes que eu dissesse não
Se instalou feito um posseiro
Dentro do meu coração
Esta letra foi retirada do site www.letrasdemusicas.com.br
quarta-feira, 27 de maio de 2009
COMPARACOES.de“Teresinha” com a Cantiga de amigo
Pode-se dizer que há um dialogo da musica “Teresinha” com a Cantiga de amigo da 1º Fase.Essa relacao será mostrada quando a voz feminina a semelhança de estrutura com a cantiga de amigo.Proclama a carência e a busca do homem amado, tendo o tema raro o da Escolha da mulher.O relato da Musica Teresinha leva a cantiga folclórica homônima, s de Jesus, que depois de cair, fora socorrida pelo pai, posteriormente pelo irmão e finalmente,por um terceiro, a quem ela deu a mão
Na canção fica bem claro que o EU e feminino.(assustada eu disse não).Na cantiga de amigo,. O EU e sempre (FEMININO), embora o autor seja HOMEN.Em TERESINHA, não se houve a fala do interlocutor-(Com quem se fala).Nesta letra se vê a vida cotidiana-(E CHEIRO A MINHA COMIDA).A realidade amorosa se faz notar em (Se deitou na vida / E me chama de mulher.
Também integram a Cantiga DE Amigo.Ao falara própria trajetória amorosa , O EU FEMININO, relata de 3 tentativa de investida por homens diferentes
(O 1º me chegou/como quem vem do florista)
O 2º me chegou/como quem chega do nada.
Após duas tentativa sem serem correspondidas por TERESINHA .Ela enfim (escolhe) (raridade o ato da escolha) o homem a qual quer.E enfim se entrega se rende ao homem amado, o da 3º investia e confessa a ele sua dependência afetiva.(E antes que eu dissesse não /se instalou feito posseiro/dentro do meu coração).
A musica TERESINHA, apresenta 3 estrofes e doze versos, enfim, Há 36 versos, enfim, há 36 versos no total.
Neles há recursos que são muito comuns a (cantiga de amigo)Ocorre construção paralela no primeiro verso de cada uma das estrofes(variando numeral substantivo).O sistema de repetições da CANTIGA DE AMIGO , revela varias vezes nesta letra de Chico e também faz parodia da cantiga de amigo considerando- se parodia de canto semelhante.Ele transfere e reorganiza o passado As suas formas paródias cheia de duplicidades Jogam com as Tensões criadas pela historia
Também como ocorre na CANTIGA DE AMIGO. Em Teresinha tb não há a identificação nominal da mulher ou do amado.Há indícios ligados a profissão, ao espaço social (COMO QUEM CHEGA DO BAR).
No texto, o diálogo , como a CANTIGA DE AMIGO e carregado de poesia ligada a sensibilidade da mulher (QUE TOCOU MEU CORACAO/ que aranhou meu coração/dentro do meu coração )
A palavra RELOGIO mostra um homem que segue CONVENCOES-(1º estrofe).
A palavra AGUARDENTE liga-se a um ser Boêmio , aventureiro
A CANTIGA DE AMIGO expressa sentimentos ligados ao COTIDIANO de mulheres do POVO.Portadora de sentimento amorosos variados. A representação da figura feminina construída pela VOZ MASCULINA, faz-se aproximar da Cantiga de amigo., Criando a IMAGEM DE uma mulher,material, desejada,possuída dentro da visão tradicional MASCULINA.
A ausência constante do HOMEM amado durante a musica e o acolhimento amoroso , leal e companheiro no FINAL.Liga-a Musica A Cantiga DE amigo
Na canção fica bem claro que o EU e feminino.(assustada eu disse não).Na cantiga de amigo,. O EU e sempre (FEMININO), embora o autor seja HOMEN.Em TERESINHA, não se houve a fala do interlocutor-(Com quem se fala).Nesta letra se vê a vida cotidiana-(E CHEIRO A MINHA COMIDA).A realidade amorosa se faz notar em (Se deitou na vida / E me chama de mulher.
Também integram a Cantiga DE Amigo.Ao falara própria trajetória amorosa , O EU FEMININO, relata de 3 tentativa de investida por homens diferentes
(O 1º me chegou/como quem vem do florista)
O 2º me chegou/como quem chega do nada.
Após duas tentativa sem serem correspondidas por TERESINHA .Ela enfim (escolhe) (raridade o ato da escolha) o homem a qual quer.E enfim se entrega se rende ao homem amado, o da 3º investia e confessa a ele sua dependência afetiva.(E antes que eu dissesse não /se instalou feito posseiro/dentro do meu coração).
A musica TERESINHA, apresenta 3 estrofes e doze versos, enfim, Há 36 versos, enfim, há 36 versos no total.
Neles há recursos que são muito comuns a (cantiga de amigo)Ocorre construção paralela no primeiro verso de cada uma das estrofes(variando numeral substantivo).O sistema de repetições da CANTIGA DE AMIGO , revela varias vezes nesta letra de Chico e também faz parodia da cantiga de amigo considerando- se parodia de canto semelhante.Ele transfere e reorganiza o passado As suas formas paródias cheia de duplicidades Jogam com as Tensões criadas pela historia
Também como ocorre na CANTIGA DE AMIGO. Em Teresinha tb não há a identificação nominal da mulher ou do amado.Há indícios ligados a profissão, ao espaço social (COMO QUEM CHEGA DO BAR).
No texto, o diálogo , como a CANTIGA DE AMIGO e carregado de poesia ligada a sensibilidade da mulher (QUE TOCOU MEU CORACAO/ que aranhou meu coração/dentro do meu coração )
A palavra RELOGIO mostra um homem que segue CONVENCOES-(1º estrofe).
A palavra AGUARDENTE liga-se a um ser Boêmio , aventureiro
A CANTIGA DE AMIGO expressa sentimentos ligados ao COTIDIANO de mulheres do POVO.Portadora de sentimento amorosos variados. A representação da figura feminina construída pela VOZ MASCULINA, faz-se aproximar da Cantiga de amigo., Criando a IMAGEM DE uma mulher,material, desejada,possuída dentro da visão tradicional MASCULINA.
A ausência constante do HOMEM amado durante a musica e o acolhimento amoroso , leal e companheiro no FINAL.Liga-a Musica A Cantiga DE amigo
sexta-feira, 24 de abril de 2009
Tem gente
Tem gente que escolhe o amor como quem escolhe um carro. Avalia ano, marca e modelo, o estado da lataria, a performance e, principalmente, o valor de mercado. Não se importa de gastar uma nota preta com isso, investe em seguro total e não economiza na manutenção. Volta e meia troca de amor por um mais novo, mais bonito, mais possante ou, melhor ainda, acumula. Detesta perder o que é seu e pensa que sempre cabe mais um na garagem: ter é poder. O mundo é dos ambiciosos e o fundamental é estar bem na fita, desfilar seu sucesso, mostrar a todos que é um vencedor. Mais cedo ou mais tarde, infelizmente, nosso campeão vai cair do cavalo. Vai ficar obsoleto ou, antes disso, vai sofrer um acidente de percurso e sua sucata vai terminar no ferro-velho, como todas as outras.
.
Tem gente que escolhe o amor como quem escolhe um móvel. Avalia funcionalidade, durabilidade, beleza também, é claro. Mas o que importa mesmo é o conforto, aquela sensação familiar, de pertencimento. Com o tempo esse amor vai se desgastando, desbota, ganha marcas de uso, manchas, arranhões. No entanto pode se recuperar lindamente se ganhar uma demão de verniz de quando em quando, um novo estofamento, um reforcinho básico na estrutura. Agora, um móvel também pode às vezes perder sua função, mesmo após muitos anos de utilíssimos serviços. É uma pena mas acontece nas melhores famílias. Nesse caso, antes de abandoná-lo às traças, mais vale mandar para um brechó e livrar o espaço. Sempre haverá algum canto vazio no mundo onde ele caiba à perfeição e tenha melhor serventia.
.
.
Tem gente que escolhe o amor como quem escolhe um sonho. Sabe que não escolhe, que avaliações são inúteis aqui. Reluta e se angustia pelo imponderável da situação ou simplesmente entrega e se deixa levar. Aproveita o que tem de bom, sofre o que tem que sofrer vive a estranheza e o maravilhamento. Não tenta controlar, nem adianta. Percebe a liberdade absoluta que há no meio desse caos. Aceita o fato de que não há garantia de espécie alguma. Pra não se apavorar, é sempre bom lembrar que está sonhando. E, pra não se apegar, é bom saber que um dia acaba, por muito que dure. Antes de acordar sozinho, não custa nada agradecer essa estadia, ainda que breve, num lugar onde se voa.
By
Christiana Nóvoa
Tem gente que escolhe o amor como quem escolhe um carro. Avalia ano, marca e modelo, o estado da lataria, a performance e, principalmente, o valor de mercado. Não se importa de gastar uma nota preta com isso, investe em seguro total e não economiza na manutenção. Volta e meia troca de amor por um mais novo, mais bonito, mais possante ou, melhor ainda, acumula. Detesta perder o que é seu e pensa que sempre cabe mais um na garagem: ter é poder. O mundo é dos ambiciosos e o fundamental é estar bem na fita, desfilar seu sucesso, mostrar a todos que é um vencedor. Mais cedo ou mais tarde, infelizmente, nosso campeão vai cair do cavalo. Vai ficar obsoleto ou, antes disso, vai sofrer um acidente de percurso e sua sucata vai terminar no ferro-velho, como todas as outras.
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Tem gente que escolhe o amor como quem escolhe um móvel. Avalia funcionalidade, durabilidade, beleza também, é claro. Mas o que importa mesmo é o conforto, aquela sensação familiar, de pertencimento. Com o tempo esse amor vai se desgastando, desbota, ganha marcas de uso, manchas, arranhões. No entanto pode se recuperar lindamente se ganhar uma demão de verniz de quando em quando, um novo estofamento, um reforcinho básico na estrutura. Agora, um móvel também pode às vezes perder sua função, mesmo após muitos anos de utilíssimos serviços. É uma pena mas acontece nas melhores famílias. Nesse caso, antes de abandoná-lo às traças, mais vale mandar para um brechó e livrar o espaço. Sempre haverá algum canto vazio no mundo onde ele caiba à perfeição e tenha melhor serventia.
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Tem gente que escolhe o amor como quem escolhe um sonho. Sabe que não escolhe, que avaliações são inúteis aqui. Reluta e se angustia pelo imponderável da situação ou simplesmente entrega e se deixa levar. Aproveita o que tem de bom, sofre o que tem que sofrer vive a estranheza e o maravilhamento. Não tenta controlar, nem adianta. Percebe a liberdade absoluta que há no meio desse caos. Aceita o fato de que não há garantia de espécie alguma. Pra não se apavorar, é sempre bom lembrar que está sonhando. E, pra não se apegar, é bom saber que um dia acaba, por muito que dure. Antes de acordar sozinho, não custa nada agradecer essa estadia, ainda que breve, num lugar onde se voa.
By
Christiana Nóvoa
Discurso Sagrado de Hermes-
Discurso Sagrado de Hermes- -
Corpus Hermeticum
por Hermes Trimegistos 100/300DC
Discurso Sagrado de Hermes
Glória das coisas e Deus e o divino, e a natureza divina. Princípio dos seres 'Deus- e o intelecto e a natureza e a matéria, portanto ele é a sabedoria para a revelação das coisas. Princípio é o divino e ele é natureza, energia, necessidade,fim , renovação.
Ora, existe uma obscuridade sem fim no abismo e água e um sopro inteligente e sutil, tudo isto existente no caos pela potência divina . Então surge uma luz santa, e se destacando da substância úmida, os elementos se condensam e os deuses separam os seres da natureza germinal.
Com efeito, quando as coisas estavam indefinidas e não formadas, os elementos leves separaram-se dos outros dirigindo-se para o alto e os elementos pesados repousaram sobre a areia úmida, todo o universo foi dividido em partes pela ação do fogo e mantido suspenso de forma a ser veiculado pelo sopro. E viu-se aparecer o céu em sete círculos e os deuses apareceram sob forma de astros com todas suas constelações e a natureza do alto foi ajustada segundo suas articulações com os deuses que continha em sí. E o círculo envolvente movimenta-se circularmente no ar, veiculado no seu curso circular pelo sopro divino.
Discurso Sagrado de Hermes - Parte II +
E cada deus , pelo se próprio poder, produziu o que lhe foi designado e assim nasceram os animais quadrúpedes e os que se arrastam, e os que vivem na água e aqueles que voam, toda semente germinal e a erva, e o tenro oscilar de toda flor possuem em sí a semente da reprodução. E os deuses produziram as sementes da geração dos homens- para conhecer as obras divinas e prestar um testemunho ativo à natureza, para aumentar o número dos homens, para dominar o que existe sob o céu e reconhecer as coisas boas, para crescer em crescimento e multiplicar em multitude, crescer em crescimento, e toda alma na carne, pelo curso dos deuses cíclicos semeados, para contemplação do céu e do curso dos deuses celestes e das obras divinas e da atividade da natureza, para o conhecimento da potência divina, conhecer as partes respectivas das coisas boas e más e descobrir toda a arte de fabricar coisas boas.
Desde então começou para eles a condução da vida humana e o adquirir a sabedoria segundo a sorte que lhe determina o curso dos deuses cíclicos e de se dissolver naquilo que restará deles , depois de ter deixado na terra grandes monumentos de suas indústrias. Todo nascimento de carne animada ou da semente dos frutos e de obra da indústria o que tiver sido diminuido será renovado, pela necessidade e pela renovação dos deuses e pelo curso do círculo da natureza que regula o número.
Pois o número é a inteira combinação cósmica renovada pela natureza: pois é no divino que a natureza tem seu lugar.
Corpus Hermeticum
por Hermes Trimegistos 100/300DC
Discurso Sagrado de Hermes
Glória das coisas e Deus e o divino, e a natureza divina. Princípio dos seres 'Deus- e o intelecto e a natureza e a matéria, portanto ele é a sabedoria para a revelação das coisas. Princípio é o divino e ele é natureza, energia, necessidade,fim , renovação.
Ora, existe uma obscuridade sem fim no abismo e água e um sopro inteligente e sutil, tudo isto existente no caos pela potência divina . Então surge uma luz santa, e se destacando da substância úmida, os elementos se condensam e os deuses separam os seres da natureza germinal.
Com efeito, quando as coisas estavam indefinidas e não formadas, os elementos leves separaram-se dos outros dirigindo-se para o alto e os elementos pesados repousaram sobre a areia úmida, todo o universo foi dividido em partes pela ação do fogo e mantido suspenso de forma a ser veiculado pelo sopro. E viu-se aparecer o céu em sete círculos e os deuses apareceram sob forma de astros com todas suas constelações e a natureza do alto foi ajustada segundo suas articulações com os deuses que continha em sí. E o círculo envolvente movimenta-se circularmente no ar, veiculado no seu curso circular pelo sopro divino.
Discurso Sagrado de Hermes - Parte II +
E cada deus , pelo se próprio poder, produziu o que lhe foi designado e assim nasceram os animais quadrúpedes e os que se arrastam, e os que vivem na água e aqueles que voam, toda semente germinal e a erva, e o tenro oscilar de toda flor possuem em sí a semente da reprodução. E os deuses produziram as sementes da geração dos homens- para conhecer as obras divinas e prestar um testemunho ativo à natureza, para aumentar o número dos homens, para dominar o que existe sob o céu e reconhecer as coisas boas, para crescer em crescimento e multiplicar em multitude, crescer em crescimento, e toda alma na carne, pelo curso dos deuses cíclicos semeados, para contemplação do céu e do curso dos deuses celestes e das obras divinas e da atividade da natureza, para o conhecimento da potência divina, conhecer as partes respectivas das coisas boas e más e descobrir toda a arte de fabricar coisas boas.
Desde então começou para eles a condução da vida humana e o adquirir a sabedoria segundo a sorte que lhe determina o curso dos deuses cíclicos e de se dissolver naquilo que restará deles , depois de ter deixado na terra grandes monumentos de suas indústrias. Todo nascimento de carne animada ou da semente dos frutos e de obra da indústria o que tiver sido diminuido será renovado, pela necessidade e pela renovação dos deuses e pelo curso do círculo da natureza que regula o número.
Pois o número é a inteira combinação cósmica renovada pela natureza: pois é no divino que a natureza tem seu lugar.
Talvez Inês tivesse sido apenas, e simplesmente, uma mulher como outra qualquer sem nada de particular, uma mulher que tivesse desejado viver o seu amor humano,
===========================
Sou uma apaixonada pela bela história de amor - de Pedro e Inês.
A bonita história de Amor á portuguesa. Referio Camões e eu tragolhe aqui Bocage, o grande poeta, que eu também adoro.
A lamentável catástrofe de D. Inês de Castro
Da triste, bela Inês, inda os clamores
Andas, Eco chorosa, repetindo;
Inda aos piedosos Céus andas pedindo
Justiça contra os ímpios matadores;
Ouvem-se inda na Fonte dos Amores
De quando em quando as náiades carpindo;
E o Mondego, no caso reflectindo,
Rompe irado a barreira, alaga as flores:
Inda altos hinos o universo entoa
A Pedro, que da morte formosura
Convosco, Amores, ao sepulcro voa:
Milagre da beleza e da ternura!
Abre, desce, olha, geme, abraça e c'roa
A malfadada Inês na sepultura.
======================Trovas que Garcia de Resende fez à morte de D. Inês de Castro, que el-rei D. Afonso, o Quarto, de Portugal, matou em Coimbra por o príncipe D. Pedro, seu filho, a ter como mulher, e, polo bem que lhe queria, nam queria casar. Enderençadas às damas.
Senhoras, s'algum senhor
vos quiser bem ou servir,
quem tomar tal servidor,
eu lhe quero descobrir
o galardam do amor.
Por Sua Mercê saber
o que deve de fazer
vej'o que fez esta dama,
que de si vos dará fama,
s'estas trovas quereis ler.
Fala D. Inês
Qual será o coraçam
tam cru e sem piadade,
que lhe nam cause paixam
úa tam gram crueldade
e morte tam sem rezam?
Triste de mim, inocente,
que, por ter muito fervente
lealdade, fé, amor
ó príncepe, meu senhor,
me mataram cruamente!
A minha desaventura
nam contente d'acabar-me,
por me dar maior tristura
me foi pôr em tant'altura,
para d'alto derribar-me;
que, se me matara alguém,
antes de ter tanto bem,
em tais chamas nam ardera,
pai, filhos nam conhecera,
nem me chorara ninguém.
Eu era moça, menina,
per nome Dona Inês
de Castro, e de tal doutrina
e vertudes, qu'era dina
de meu mal ser ó revés.
Vivia sem me lembrar
que paixam podia dar
nem dá-la ninguém a mim:
foi-m'o príncepe olhar,
por seu nojo e minha fim.
Começou-m'a desejar,
trabalhou por me servir;
Fortuna foi ordenar
dous corações conformar
a úa vontade vir.
Conheceu-me, conheci-o,
quis-me bem e eu a ele,
perdeu-me, também perdi-o;
nunca té morte foi frio
o bem que, triste, pus nele.
Dei-lhe minha liberdade,
nam senti perda de fama;
pus nele minha verdade
quis fazer sua vontade,
sendo mui fremosa dama.
Por m'estas obras pagar
nunca jamais quis casar;
polo qual aconselhado
foi el-rei qu'era forçado,
polo seu, de me matar.
Estava mui acatada,
como princesa servida,
em meus paços mui honrada,
de tudo mui abastada,
de meu senhor mui querida.
Estando mui de vagar,
bem fora de tal cuidar,
em Coimbra, d'assessego,
polos campos de Mondego
cavaleiros vi somar.
Como as cousas qu'ham de ser
logo dam no coraçam,
comecei entrestecer
e comigo só dizer:
"Estes homens donde iram?
E tanto que que preguntei,
soube logo qu'era el-rei.
Quando o vi tam apressado
meu coraçam trespassado
foi, que nunca mais falei.
E quando vi que decia,
saí à porta da sala,
devinhando o que queria;
com gram choro e cortesia
lhe fiz úa triste fala.
Meus filhos pus de redor
de mim com gram homildade;
mui cortada de temor
lhe disse: -"Havei, senhor,
desta triste piadade!"
"Nam possa mais a paixam
que o que deveis fazer;
metei nisso bem a mam,
qu'é de fraco coraçam
sem porquê matar molher;
quanto mais a mim, que dam
culpa nam sendo rezam,
por ser mãi dos inocentes
qu'ante vós estam presentes,
os quais vossos netos sam.
"E que tem tam pouca idade
que, se não forem criados
de mim só, com saudade
e sua gram orfindade
morrerám desemparados.
Olhe bem quanta crueza
fará nisto Voss'Alteza:
e também, senhor, olhai,
pois do príncepe sois pai,
nam lhe deis tanta tristeza.
"Lembre-vos o grand'amor
que me vosso filho tem,
e que sentirá gram dor
morrer-lhe tal servidor,
por lhe querer grande bem.
Que, s'algum erro fizera,
fora bem que padecera
e qu'este filhos ficaram
órfãos tristes e buscaram
quem deles paixam houvera;
"Mas, pois eu nunca errei
e sempre mereci mais,
deveis, poderoso rei,
nam quebrantar vossa lei,
que, se moiro, quebrantais.
Usai mais de piadade
que de rigor nem vontade,
havei dó, senhor, de mim
nam me deis tam triste fim,
pois que nunca fiz maldade!"
El-rei, vendo como estava,
houve de mim compaixam
e viu o que nam oulhava:
qu'eu a ele nam errava
nem fizera traiçam.
E vendo quam de verdade
tive amor e lealdade
ó príncepe, cuja sam,
pôde mais a piadade
que a determinaçam;
Que, se m'ele defendera
ca seu filho não amasse,
e lh'eu nam obedecera,
entam com rezam podera
dar m'a morte qu'ordenasse;
mas vendo que nenhú'hora,
dês que naci até'gora,
nunca nisso me falou,
quando se disto lembro
===========================
Sou uma apaixonada pela bela história de amor - de Pedro e Inês.
A bonita história de Amor á portuguesa. Referio Camões e eu tragolhe aqui Bocage, o grande poeta, que eu também adoro.
A lamentável catástrofe de D. Inês de Castro
Da triste, bela Inês, inda os clamores
Andas, Eco chorosa, repetindo;
Inda aos piedosos Céus andas pedindo
Justiça contra os ímpios matadores;
Ouvem-se inda na Fonte dos Amores
De quando em quando as náiades carpindo;
E o Mondego, no caso reflectindo,
Rompe irado a barreira, alaga as flores:
Inda altos hinos o universo entoa
A Pedro, que da morte formosura
Convosco, Amores, ao sepulcro voa:
Milagre da beleza e da ternura!
Abre, desce, olha, geme, abraça e c'roa
A malfadada Inês na sepultura.
======================Trovas que Garcia de Resende fez à morte de D. Inês de Castro, que el-rei D. Afonso, o Quarto, de Portugal, matou em Coimbra por o príncipe D. Pedro, seu filho, a ter como mulher, e, polo bem que lhe queria, nam queria casar. Enderençadas às damas.
Senhoras, s'algum senhor
vos quiser bem ou servir,
quem tomar tal servidor,
eu lhe quero descobrir
o galardam do amor.
Por Sua Mercê saber
o que deve de fazer
vej'o que fez esta dama,
que de si vos dará fama,
s'estas trovas quereis ler.
Fala D. Inês
Qual será o coraçam
tam cru e sem piadade,
que lhe nam cause paixam
úa tam gram crueldade
e morte tam sem rezam?
Triste de mim, inocente,
que, por ter muito fervente
lealdade, fé, amor
ó príncepe, meu senhor,
me mataram cruamente!
A minha desaventura
nam contente d'acabar-me,
por me dar maior tristura
me foi pôr em tant'altura,
para d'alto derribar-me;
que, se me matara alguém,
antes de ter tanto bem,
em tais chamas nam ardera,
pai, filhos nam conhecera,
nem me chorara ninguém.
Eu era moça, menina,
per nome Dona Inês
de Castro, e de tal doutrina
e vertudes, qu'era dina
de meu mal ser ó revés.
Vivia sem me lembrar
que paixam podia dar
nem dá-la ninguém a mim:
foi-m'o príncepe olhar,
por seu nojo e minha fim.
Começou-m'a desejar,
trabalhou por me servir;
Fortuna foi ordenar
dous corações conformar
a úa vontade vir.
Conheceu-me, conheci-o,
quis-me bem e eu a ele,
perdeu-me, também perdi-o;
nunca té morte foi frio
o bem que, triste, pus nele.
Dei-lhe minha liberdade,
nam senti perda de fama;
pus nele minha verdade
quis fazer sua vontade,
sendo mui fremosa dama.
Por m'estas obras pagar
nunca jamais quis casar;
polo qual aconselhado
foi el-rei qu'era forçado,
polo seu, de me matar.
Estava mui acatada,
como princesa servida,
em meus paços mui honrada,
de tudo mui abastada,
de meu senhor mui querida.
Estando mui de vagar,
bem fora de tal cuidar,
em Coimbra, d'assessego,
polos campos de Mondego
cavaleiros vi somar.
Como as cousas qu'ham de ser
logo dam no coraçam,
comecei entrestecer
e comigo só dizer:
"Estes homens donde iram?
E tanto que que preguntei,
soube logo qu'era el-rei.
Quando o vi tam apressado
meu coraçam trespassado
foi, que nunca mais falei.
E quando vi que decia,
saí à porta da sala,
devinhando o que queria;
com gram choro e cortesia
lhe fiz úa triste fala.
Meus filhos pus de redor
de mim com gram homildade;
mui cortada de temor
lhe disse: -"Havei, senhor,
desta triste piadade!"
"Nam possa mais a paixam
que o que deveis fazer;
metei nisso bem a mam,
qu'é de fraco coraçam
sem porquê matar molher;
quanto mais a mim, que dam
culpa nam sendo rezam,
por ser mãi dos inocentes
qu'ante vós estam presentes,
os quais vossos netos sam.
"E que tem tam pouca idade
que, se não forem criados
de mim só, com saudade
e sua gram orfindade
morrerám desemparados.
Olhe bem quanta crueza
fará nisto Voss'Alteza:
e também, senhor, olhai,
pois do príncepe sois pai,
nam lhe deis tanta tristeza.
"Lembre-vos o grand'amor
que me vosso filho tem,
e que sentirá gram dor
morrer-lhe tal servidor,
por lhe querer grande bem.
Que, s'algum erro fizera,
fora bem que padecera
e qu'este filhos ficaram
órfãos tristes e buscaram
quem deles paixam houvera;
"Mas, pois eu nunca errei
e sempre mereci mais,
deveis, poderoso rei,
nam quebrantar vossa lei,
que, se moiro, quebrantais.
Usai mais de piadade
que de rigor nem vontade,
havei dó, senhor, de mim
nam me deis tam triste fim,
pois que nunca fiz maldade!"
El-rei, vendo como estava,
houve de mim compaixam
e viu o que nam oulhava:
qu'eu a ele nam errava
nem fizera traiçam.
E vendo quam de verdade
tive amor e lealdade
ó príncepe, cuja sam,
pôde mais a piadade
que a determinaçam;
Que, se m'ele defendera
ca seu filho não amasse,
e lh'eu nam obedecera,
entam com rezam podera
dar m'a morte qu'ordenasse;
mas vendo que nenhú'hora,
dês que naci até'gora,
nunca nisso me falou,
quando se disto lembro
a história de amor entre d. Pedro e Inês de Castro

Inês, tornou-se um mito e se habita o nosso imaginário é porque, vítima da perseguição levada até à loucura do assassinato – quem de morte a sentenciou – lhe abriu as portas da história e a fez perdurar na memória dos tempos que de outra forma a teriam talvez, esquecido.
Camões imortalizou a história de amor entre d. Pedro e Inês de Castro, rainha depois de morta (´Os lusíadas´, canto III, estrofes 118-135, de 1572
Antes de executada, Inês (registrou Camões) chegou a pedir ao rei para, em vez da sentença de morte, desterrá-la e colocá-la entre leões e tigres, onde, certamente encontrando a piedade não achada entre os homens, poderia criar os filhos, recordações do pai e consolação da mãe.
O Amor, áspero e tirano, não mitiga sua sede com lágrimas tristes e exige o sangue humano. Inês, só por ter sujeito o coração a quem soube vencê-la, foi tirada do mundo para matar o fogo aceso do firme amor de d. Pedro.
Amor é fogo e arde, embora não se possa vê-lo. Amor é nunca contentar-se de contente. Amor é querer estar preso por vontade.
Inês, tornou-se um mito e se habita o nosso imaginário é porque, vítima da perseguição levada até à loucura do assassinato – quem de morte a sentenciou – lhe abriu as portas da história e a fez perdurar na memória dos tempos que de outra forma a teriam talvez, esquecido.
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