quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

"O mais burro não é o racista. É o que pensa que o racismo não existe.
O racista só é um babaca que assimila preconceitos porque tem a cabeça muito fraca. Falta de educação no mundo."
Hamilton Naki ensinou cirurgia durante 40 anos e aposentou-se com uma pensão de jardineiro, de 275 dólares por mês. Depois que o apartheid acabou, ganhou uma condecoração e um diploma de médico "honoris causa". Nunca reclamou das injustiças que sofreu a vida toda, ao contrário, agradecia sempre por ter podido ajudar a salvar a vida de tanta gente.

Pese a sua clandestinidade e discriminação latente, jamais deixou de dar o melhor de si...

Dr. Hamilton Naki

Dr. Hamilton Naki





Quem foi Hamilton Naki?


Hamilton Naki (26 de Junho de 1926 - 29 de maio de 2005) um Sul-africano negro e pobre, nasceu em Ngcingane, em Eastem Cape(Cabo Oriental). Aos 14 anos parou de estudar e empregou-se como jardineiro da Universidade da Cidade do Cabo. Foi selecionado para trabalhar com os animais do laboratório da Faculdade de Medicina. Suas habilidades técnicas foram sendo observadas e recebeu permissão especial para permanecer nas pesquisas de laboratório.
Por 40 anos, o negro instruiu milhares de cirurgiões brancos, vários deles se tornariam chefes de departamento em hospitais. Formalmente jardineiro, recebia como auxiliar de laboratório, a maior remuneração que legislação permitia à Universidade lhe pagar.

A versão inicialmente divulgada no obituário do Sr Naki dizia: Foi ele quem retirou do corpo da doadora branca, Sra. Denise Darvall, o coração transplantado para o peito de Louis Washkanky, em dezembro de 1967,na cidade do Cabo, na África do Sul, na primeira operação de transplante cardíaco humano bem-sucedida. Esta história era fantástica e até então desconhecida. Foi publicada com grande destaque por importantes jornais, no mundo todo. A Internet encarregou-se de reproduzir o tema: era um professor sem formação acadêmica tradicional e exímio cirurgião, até então desconhecido devido ao apartheid.Em poucas semanas autoridades do Groote Schuur Hospital declararam que o Sr. Naki não participou do transplante nem em outras cirurgias, exceto em seu trabalho com animais.
O Sr. Naki aposentou-se com salário de jardineiro em 1991 e o fim do apartheid veio apenas em 1994, com a eleição de Nelson Mandela. O reconhecimento ao seu trabalho, por entidades estatais Sul-Africanas veio através da Ordem Nacional de Mapungubwe somente em 2002 e finalmente o título de Médico Honorário pela Universidade de Cape Town em 2003. Continuou trabalhando como cirurgião em um ônibus adaptado como clínica móvel, encomendado com o apoio de donativos recolhidos a partir de médicos que ele tinha treinado.


Cristhian Barnard se aposentou em 1983, dezesseis anos após o seu famoso transplante. Barnard era adversário do apartheid e admirava o Sr.Naki, seu fiel e tenaz colaborador. Em 1993 admitira em entrevista que " se dada oportunidade" o Sr Naki poderia ter sido "melhor cirurgião do que eu". Sabemos que durante uma cirurgia complexa há necessidade de um harmonioso trabalho de equipe. Durante o regime do apartheid qualquer ajuda de um negro, sem educação formal, a um homem branco seria um eterno segredo. Não há dúvida da ajuda prestada pelo Sr. Naki à Barnard, porém a natureza desta ajuda é desconhecida.


"Eu gostaria que a geração mais jovem pudesse encontrar inspiração no meu trabalho. Nosso país precisa de mais médicos, sobretudo a partir dos desfavorecidos da comunidade.
Olhem para mim - pode acontecer! "-Naki




Até onde vai a verdade desta história? Não importa. O importante neste caso é que o Sr. Naki foi um herói! Um herói que cuidou de flores, de animais e de pessoas. Contribuiu com seu talento e trabalho para aliviar o sofrimento de seus semelhantes. Mesmo submetido a condições humilhantes, não se abateu e dia a dia, por anos, poliu um verdadeiro diamante sul-africano; seu caráter que serve de exemplo a seus conterrâneos e aos homens livres de todo o mundo.


Fontes:
BrasilMedicina.com.br:
Geocities.com
JB OnLine
Wikipédia

afro-americano Vivien Theodore Thomas

Ser médico sempre foi o sonho do afro-americano Vivien Theodore Thomas (1910-1985), que viu suas suadas economias se evaporarem na Grande Depressão de 1929. Ele havia se decidido pela carreira e trabalhou duro como carpinteiro para conseguir o dinheiro necessário, mesmo quando vigorava a segregação racial nos Estados Unidos.

Uma ocupação que o colocaria próximo do lugar de seu desejo apareceu quando o Dr. Alfred Blalock, médico e cirurgião, lhe empregou como o responsável geral pela organização de seu laboratório. Recebendo menos do que no seu trabalho anterior, Thomas passou a auxiliar o Dr. Blalock, ler os livros de medicina e aprender os procedimentos cirúrgicos com o médico, que logo percebeu o talento para a cirurgia de seu empregado.

Na década de 40, o médico foi para a Universidade Johns Hopkins e levou Thomas com ele. Os dois passaram a pesquisar, com a Dra. Helen Taussing, a doença congênita do coração conhecida como Blue Baby Syndrome (síndrome do bebê azul), que não permite a suficiente oxigenação do sangue, fazendo com que as crianças tenham uma cor azulada. Na época, não se fazia cirurgia cardíaca, e os pequenos pacientes tinham uma expectativa de vida bem baixa.

Havia problemas para Thomas vestir o avental branco, circular pelos lugares de pesquisa e até mesmo receber um salário condizente com o posto que ocupava, simplesmente por sua cor. Mas, mesmo com a discriminação e mesmo não tendo recebido uma formação - que deveria ser em uma universidade para negros - Thomas trabalhou incansavelmente naquilo que era a sua profissão ideal. Ele tinha inteligência, conhecimentos e habilidades excelentes, que o colocavam como indispensável no desafio de achar uma solução para o problema das crianças.

Enquanto os doutores Blalock e Taussing eram mais teóricos, Thomas era o mais familiarizado com o procedimento na prática. Além de participar da elaboração, desenvolveu os instrumentos que a nova técnica exigia. Por isso, o Dr. Blalock pediu a sua orientação na primeira cirurgia que realizou.

Começando sua carreira como técnico de laboratório, enfrentando as dificuldades da discriminação e nunca se formando em medicina, Thomas ensinou e treinou equipes de médicos cirurgiões sobre procedimentos cirúrgicos. Mas, apesar de sua grande importância no sucesso da novidade cirúrgica, ele não foi reconhecido no meio científico nem social da época.

Somente anos depois Thomas se tornou diretor dos laboratórios de pesquisas cirúrgicas, e foi devidamente creditado quando recebeu o título de doutor honoris causa, ainda que em direito.



Fonte: Galileu